A fusão entre Siemens e Gamesa criará uma gigante da energia eólica.

Em comunicado enviado na sexta-feira ao regulador do mercado de ações espanhol, a Gamesa afirmou ter obtido a "aprovação corporativa necessária para a potencial integração do negócio de energia eólica da Siemens", faltando ainda definir os termos finais do acordo.
O anúncio veio após meses de negociações entre as duas empresas e ocorre em um momento de crescente demanda por energia eólica, à medida que os países desenvolvem mais energias renováveis para cumprir as metas de redução de emissões.
Embora ainda não tenha sido divulgado o valor da fusão, a agência de notícias financeiras Bloomberg informou que a Siemens pagaria cerca de um bilhão de dólares (890 milhões de euros) à Gamesa como parte da operação.
O grupo de engenharia alemão deteria uma participação majoritária de 59% na nova empresa de energia eólica, segundo a Bloomberg, citando fontes familiarizadas com o assunto. O maior acionista da Gamesa, a maior empresa de energia da Espanha, a Iberdrola, teria uma participação de 20% na nova empresa, de acordo com reportagens da mídia espanhola.
Nos termos do plano de fusão, os ativos de energia eólica da Siemens serão absorvidos pela Gamesa, que manterá sua sede em Zamudia, na região basca do norte da Espanha, bem como seu presidente, Ignacio Martin.
As ações da Gamesa foram suspensas de negociação na bolsa de valores espanhola nesta sexta-feira. As ações da Siemens subiram 1,62%, para 92,36 euros, no final da manhã em Frankfurt.

Grande potencial de crescimento
Até agora, a energia eólica tem sido a menor e menos lucrativa das oito divisões da Siemens, que também incluem uma variedade de produtos, desde turbinas a gás a trens de alta velocidade e equipamentos médicos.
Contudo, a empresa alemã é uma importante participante global no mercado de energia eólica offshore, enquanto a Gamesa se destaca no segmento onshore. Além disso, a empresa espanhola está prosperando em mercados emergentes, especialmente nas antigas colônias espanholas na América Latina. Ademais, é líder de mercado na Índia e a maior fabricante de parques eólicos não chinesa na China.
No entanto, a Gamesa foi duramente atingida pelos profundos cortes nos subsídios do governo espanhol para a eletricidade produzida a partir de fontes renováveis, após a economia do país entrar em colapso com o estouro da bolha imobiliária que durou uma década, em 2008.
Em 2013, registrou um prejuízo enorme, mas recuperou o crescimento nos anos seguintes, alcançando um lucro líquido de 170 milhões de euros no ano passado.
"A Gamesa precisa de apoio financeiro para se desenvolver no setor offshore", disse Angel Perez, analista da corretora espanhola Renta 4, à agência de notícias AFP.
A capacidade global de energia eólica quase dobrará nos próximos cinco anos, impulsionada principalmente pelo crescimento do mercado na China, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Global Wind Energy Council, um grupo do setor com sede em Bruxelas. A capacidade cumulativa de energia eólica deverá subir para cerca de 792 gigawatts (GW) até o final de 2020, ante 433 GW no final de 2015, segundo o relatório divulgado em abril.
O acordo entre a Gamesa e a Siemens é o mais recente de uma série de fusões e aquisições no setor de energia eólica. No ano passado, a fabricante alemã de turbinas Nordex comprou a divisão de energia eólica da espanhola Acciona. Além disso, a gigante americana de engenharia General Electric reforçou seu portfólio de turbinas eólicas offshore ao concluir a compra da divisão de energia da empresa francesa Alstom no ano passado.


